Roda de conversa na UFRRJ debate identidade de gênero e diversidade sexual

O evento, que ocorreu na última sexta-feira (30/09), na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) surgiu a partir de um projeto da faculdade que passou a abordar os temas de diversidade sexual e identidade de gênero por meio da disciplina Corpo e Educação.

Em abril de 2016, eu estive na Rural de Nova Iguaçu, a convite do professor e doutor em Pedagogia Jonas Alves, para uma palestra com a turma que ele dá aula. Agora, no dia 30 de setembro, voltei para o evento “Roda de Conversa: Maria Eduarda”.

Como foi a Roda de Conversa na Rural

Diferentemente da última vez, nossa ideia foi realizar um bate-papo descontraído, no auditório da universidade, com o intuito de promover mais debate do que ocorre em uma palestra propriamente dita. O que eu achei bem mais proveitoso.

Na sequência, foi realizada uma entrevista comigo que serviu de base para o trabalho de conclusão de curso dos estudantes.

Transexualidade foi tema abordado no evento

Tivemos na Roda de Conversa diversas perguntas sobre procedimento de hormonização, retificação de nome civil, nome social, a questão dos banheiros, diferença entre transexual e travesti, entre outras dúvidas dos alunos, que normalmente é da sociedade em geral também.

Um banheiro polêmico

Quando abordamos a questão dos banheiros unissex, as meninas disseram que têm medo de dividir o toalete com homens, mas não se importam em compartilhar com mulheres transexuais.

Isso me fez constatar mais um problema: Sendo assim, quem se sente mulher, mas não passa por transição hormonal ou tem alguma caracteristica masculina aparente será impedida de usar o mesmo banheiro que as mulheres cis.

Infelizmente, a sociedade ainda exige uma certa aparência feminina binarista. Ou seja, atualmente toda transexual é exigida estar adequada ao mundo feminino para utilizar o mesmo sanitário. Embora ainda corra o risco de ser expulsa, constrangida ou agredida fisica ou moralmente.

Aparência das transexuais

Outro assunto abundantemente abordado foi a questão da estética e passabilidade. Note que é fato consumado que mulheres trans que não conseguem realizar o procedimento de laser tem sua autoestima comprometida. Principalmente porque o CISTEMA não aceita mulher de barba.

Homens de saia no Colégio Pedro II?

Em cima desse gancho estético, aproveitamos para emendar a questão do binarismo de gênero e o sexismo dentro da educação. O caso do Colégio Pedro II foi trabalhado. Tentamos desmistificar a questão do uniforme esclarecendo que os meninos não iriam usar saia.

Na verdade, o que a referida instituição fez foi permitir que as pessoas transexuais pudessem usar o uniforme de acordo com seu gênero. Além de colocar em prática o direito ao nome social na chamada. Nesse aspecto foi revolucionária a decisão dessa escola pública.

Pedagogia da UFRRJ está um passo à frente

De toda forma, achei importantíssimo o trabalho que vem sendo feito dentro do curso de Pedagogia da universidade Rural em Nova Iguaçu. Acredito que outras áreas do mundo acadêmico devem seguir esse exemplo como o Direito e a Medicina principalmente. Áreas estas que temos profissionais carentes de informação, que chegam ao cúmulo, de dizer que nunca ouviram falar sobre o assunto identidade de gênero.

A luta do movimento transexual é constante e deverá invadir o meio acadêmico. Dessa forma, deixaremos de ser meros objetos de pesquisa para nos tornarmos também pesquisadoras. Temos direito a ser as estrelas do espetáculo, não apenas meras coadjuvantes.

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